Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

guião do dia D

protesto1
publicado por carlossilva às 00:01
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

avaliação "complex"

"Os professores que na sua primeira avaliação de desempenho obtenham uma classificação de Irregular ou Suficiente não vão sofrer automaticamente as penalizações previstas no Estatuto da Carreira Docente, ECD, nomeadamente a não contagem do tempo de serviço para efeitos de acesso e progressão na carreira.

A medida foi anunciada ontem pela ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, na primeira de duas reuniões com os sindicatos sobre esta matéria. "Não é com a primeira classificação de Regular ou Insuficiente que os professores vão ter consequências na carreira. É necessário comprovar essa avaliação com uma nova avaliação [intercalar e que se realizará no ano seguinte] para que os efeitos negativos se façam sentir", explicou à saída do encontro.
O objectivo, acrescentou, é "reforçar as garantias para os professores avaliados quanto a eventuais consequências negativas neste primeiro ciclo de avaliação".
Esta medida excepcional aplica-se assim aos cerca de sete mil docentes (a esmagadora maioria contratados, mas também alguns que já cumpriram o tempo de serviço necessário à progressão) que têm de ter uma classificação já este ano e também a todos os mais de 150 mil cuja avaliação neste e no próximo ano lectivo só será transformada em nota no final de 2009.
De acordo com o ECD, um professor classificado com um Regular ou Insuficiente, para além de não ver o tempo de serviço contado para efeitos de progressão na carreira, podia sofrer outras consequências. No caso do Insuficiente, a penalização prevê a impossibilidade de um docente se candidatar a dar aulas, a não renovação de um contrato ou a cessação da nomeação provisória.
O que a ministra anunciou aos sindicatos é que estava disposta a não aplicar desde logo esta penalização. Só se essas notas forem confirmadas numa segunda avaliação.
Nesta nova negociação, que o ME vê como uma "prova evidente de abertura ao diálogo" e empenho "numa aproximação de posições com as associações sindicais", Maria de Lurdes Rodrigues apresentou oito propostas - que passam, por exemplo, pela definição de um número de horas mínimo para os professores poderem preparar as suas aulas, o acompanhamento por parte das organizações sindicais do processo de avaliação de desempenho ou a inclusão da formação contínua no horário laboral.
Apesar de algumas irem de encontro às pretensões da plataforma que reúne todas as organizações sindicais, Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, classificou as propostas de "generalistas e muito insuficientes". Falta concretizar e, acima de tudo, explicou, falta incluir duas das principais reivindicações dos professores: a suspensão da avaliação este ano lectivo e a não aplicação de procedimentos relacionados com o novo modelo de gestão das escolas.
"A manter-se apenas este documento não há razão nenhuma para que os professores levantem ou aliviem as formas de luta que estão preparadas. Se este fosse o último documento do ME para um eventual entendimento, a sua insuficiência levaria a que os professores avançassem para novas acções a partir de 17 de Maio", reforçou Mário Nogueira.
A plataforma vai apresentar as suas propostas e amanhã terá outra reunião com a tutela."

- Isabel Leiria - in Público (9.4.2008)

 

*

OBS:

A prova de que a ideia de adiar e testar o processo de avaliação de desempenho dos docentes é mais que justa fica, a meu ver, mais que justificada, mesmo que não houvesse outras razões.

Não seria mais simples e correcto fazer uma avaliação bem pensada para o próximo ano lectivo, do que insistir teimosamente nesta avaliação em cima do joelho?

Este ministério, ao contrário do que possa indicar o teor da notícia, gosta de complicar.

publicado por carlossilva às 17:26
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Quinta-feira, 20 de Março de 2008

"força ministra!"

"A central de propaganda do Governo vinha trabalhando com incontestável êxito no sentido de forjar uma opinião pública desfavorável aos professores. Mas os cem mil que desceram a Avenida da Liberdade alteraram os dados desse jogo sujo e puseram muitos portugueses a pensar. É a esta luz, em minha opinião, que se deve entender a forma suicida escolhida pelo poder para gerir a crise e a insensatez de artigos e declarações públicas que se sucederam.
Como o problema era complexo, alguém puxou pela cabeça e... chamou a polícia. Seguiram-se as profissões piedosas de Rui Pereira e o inquérito da ordem.
Em Chaves, Santos Silva perdeu (uma vez mais) o controlo e disse coisas que só não surpreenderam porque já o tínhamos ouvido, na última campanha para a Presidência da República, referir que a eventual eleição de Cavaco Silva corresponderia a um golpe de Estado.
No dia em que se recordavam os 199 assassinados na barbárie de Atocha, Jorge Pedreira chamou terrorista a Mário Nogueira, quando falava da abertura e da flexibilidade do Ministério da Educação, a poucas horas de se sentar à mesa com o dirigente sindical, para negociar. Nada mais coerente e apropriado ao diálogo e à concertação!
Maria de Lurdes Rodrigues, dada a números como ninguém, desprezou os cem mil! Irrelevante, disse. E lá foi, independente, rir (coisa rara nela) e desagravar para o comício do PS, onde alguns, na sua lógica maniqueísta, foram relevantes.
Os professores que se manifestaram em Lisboa não me lembraram "os hooligans", como o senhor do berbequim sugeriu. Não me incomodaram "os cabelos desalinhados, as senhoras a fazerem tristes figuras". Fico antes perplexo com os bem penteados que confundem velocidade com toucinho e não cuidam de estudar aquilo de que falam. São para eles as linhas que se seguem.
A qualidade do desempenho profissional dos professores é uma das variáveis que contribuem para a qualidade da formação dos jovens e que, por isso, deve ser seriamente considerada na gestão educativa. Mas antes dela abundam muitas outras, que nem a escola nem os professores podem controlar. Lembro algumas, sem as esgotar: baixos níveis de literacia dos progenitores, com a consequente impossibilidade de continuarem em casa o trabalho da escola; empobrecimento das famílias (dois milhões de pobres, dois milhões de assistidos), num cenário de crescente aumento das desigualdades económicas e sociais, que favorecem o abandono precoce do estudo em busca de trabalho, ainda que mal pago; desvalorização do papel social da escola, numa sociedade onde a posse de uma formação longa é cada vez menos garantia de acesso ao trabalho remunerado (fala-se sempre da escola formar para o desemprego, nunca se fala de o mercado não gerar empregos suficientes para todos); universalização do emprego precário e aumento do desemprego; políticas urbanísticas inadequadas, geradoras de guetos étnicos e sócio-económicos propiciadores da exclusão e da marginalidade; aceitação e promoção de um paradigma de vida em que a escola deve substituir os pais (as crianças do básico já passam 39 horas por semana na escola e a medida moderna proposta é estender o estranho conceito de "escola a tempo inteiro" ao secundário, guardando os jovens na escola 55 horas em cada semana).
Outras variáveis, directamente actuáveis pela gestão educacional, permanecem intocáveis ou sofreram intervenções degradantes: planos curriculares e programas disciplinares; orientações metodológicas; prestações exigíveis aos alunos e seu estatuto disciplinar; modelo de gestão das escolas; políticas de formação inicial e contínua dos professores; estruturas de supervisão; políticas de rede escolar e de modernização de equipamentos.

No meio de tudo isto, a avaliação do desempenho está longe de ter o impacto que muitos lhe atribuem. Mas vamos a ela e falemos dos erros que subjazem ao decreto que a regulamenta, sob a forma de perguntas que endereço aos que apoiam a ministra da Educação:
Onde está a evidência mínima, a simples presunção fundamentada, ao menos em experiências similares, que, cumprido o proposto, os resultados dos alunos melhorariam? Que países, daqueles que servem habitualmente de modelo aos arautos da modernidade, ou outros, puseram em prática modelos similares e que resultados foram obtidos? Que análise custo-benefício fizeram os arquitectos do monstro, antes de o parir? Quanto custa observar três aulas por ano (pelo menos, como manda a lei) multiplicadas pelo número de professores a avaliar? Surpreendem-se se adiantar que, só para isso, estaremos a falar de qualquer coisa como 700 salários anuais de professores de topo de carreira? Quanto tempo e quanto custa preencher a loucura de fichas e papéis que o sistema supõe? Não é verdade que, entre outras, sublinho, entre outras, teremos uma ficha de objectivos individuais, uma ficha de auto-avaliação do avaliado, uma ficha de avaliação de um avaliador (coordenador do departamento), outra ficha de avaliação de outro avaliador (presidente do conselho executivo), uma ficha de observação de aulas, uma ficha de avaliação do portefólio do avaliado e o próprio portefólio do avaliado? Poderão e deverão as escolas dedicar um tempo desproporcionado à avaliação dos professores, tempo que retirarão ao ensino, missão primeira da escola? Não é verdade que poderemos ter licenciados a avaliar doutorados? Não estamos, por essa via, a envenenar irremediavelmente o clima relacional entre os docentes, já perigosamente aviltado pela grosseira injustiça que dividiu professores em titulares e outros? Não é verdade que se reduziu ao ridículo a tradicional lógica dos saberes instituídos, quando poderemos ter um professor de Biologia a avaliar um colega de Matemática ou um de Física a perorar sobre o desempenho doutro de Informática? Não será aberrante um biólogo ir observar a aula de um matemático? Não é inaceitável que a ministra argumente que todos os professores avaliadores estão preparados para avaliar colegas, já que toda a vida avaliaram alunos, como se a supervisão pedagógica fosse simples diletância de universitários lunáticos? Não teremos um conflito insanável de interesses, quando avaliando e avaliador podem ser concorrentes a uma mesma menção de "excelente" e o segundo pode driblar o primeiro, esgueirando-se pela porta estreita das quotas?
Não é certo que o sucesso dos alunos é muito mais provável numas disciplinas que noutras? Não é verdade que a avaliação externa não se aplica a todas as disciplinas? Como aceitar que a inteligência diferente dos alunos, a sua aplicação e interesse, as deficiências transitadas de anos anteriores, etc., possam rotular o trabalho dos professores, ao menos sem um acurado mecanismo ponderador? Como indexar, assim, parte da classificação dos docentes a critérios tão vulneráveis? Como negar que a curta história do diploma em apreço seja a macabra história de comportamentos continuados de desrespeito da própria lei por parte dos seus autores, como a insensatez das datas, a não regulamentação do essencial e a trapalhice continuada para salvar a face suja? As perguntas que ficam não são mera retórica. São a evidência de um sinistro disparate. Mas tiveram uma resposta, igualmente sinistra: força, ministra!"

Santana Castillo

Professor do ensino superior

(in Público)

publicado por carlossilva às 23:27
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Segunda-feira, 17 de Março de 2008

"resistências colectivas"

Muitos têm falado muito de Educação, em geral, e de Professores, em particular. Muitos são os que têm falado de Educação tendo dela uma visão superficial, antiquada, virtual, seguidista da política vigente. Muito têm falado muito sem, verdadeiramente saberem o mínimo do funcionamento das escolas e, por isso, se têm entregado aos comentários mais ridículos acerca do empenhamento, ou da sua falta, dos professores deste país. Muitos têm dirigidos aos docentes, em geral, um ódio estigmatizado por uma ou outra experiência traumatizante do seu passado e da sua relação com a escola,  estendendo à maioria os defeitos de alguns.

Há maus professores como há maus médico, advogados, construtores, carpinteiros, polícias. Até há maus ministros, como sabemos. E nesta área, sabemos bem quantos dos 26 ministros, que já ocuparam a 5 de Outubro, podem incluir-se no lote dos bons. Todos eles tentaram fazer a sua reformazinha sem avaliar convenientemente as experiências anteriores. O resultado está à vista e a culpa, segundo eles, é dos professores que são alérgicos à mudança. Andamos há 33 anos a mudar coisas na educação. Os professores são alérgicos à mudança pela mudança. Nem todas as mudanças são boas. Quantas vezes, até na nossa vida pessoal fazemos mudanças para pior.

Mas, ainda a propósito do muito que se tem dito sobre educação, professores e avaliação, convém ler (aqui) a Carta enviada  à Ministra da Educação pelo Conselho Pedagógico da Escola Secundária Pluricurricular de Santa Maria Maior, em Viana do Castelo, que expõe com muita clarividência as razões porque a classe dos professores contesta este sistema de avaliação.

O link remete para um post publicado no blogue "A Educação do meu umbigo" que se tem revelado  como a voz esclarecida dos docentes neste braço-de-ferro entre ministra e docentes. 

publicado por carlossilva às 12:41
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Quarta-feira, 12 de Março de 2008

"luz ao fundo do túnel"

Pelas declarações de Mário Nogueira, da Fenprof , e de Jorge Pedreira, secretário de estado, no final da reunião entre ministério e sindicatos, parece-me que o "túnel" é muito longo e a "luz" demasiado ténue.

Embora, ao nível do discurso ministerial, esteja a verificar-se alguma inflexão não creio que isso se traduza em alterações significativas na praxis ministerial.

É evidente que a manifestação do cem mil atingiu o governo, mas este prepara-se para sair desta posição de desvantagem tentando de novo ludibriar a opinião pública relativamente à sua disponibilidade para "negociar" e "alterar" o que quer que seja.

Nesta altura, é imperioso estar alerta e não desmobilizar perante o anúncio de "flexibilidade"  deste governo.

publicado por carlossilva às 13:36
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

onde é que se apanha a carreira?

0738a


(Retirado, com a devida vénia, do excelente blogue Anterozoide.)

 

Amanhã todos os caminhos vão dar a Lisboa. Mais de 600 autocarros partirão de todos os pontos do país rumo ao Marquês do Pombal. São esperados mais de 60 mil participantes que, em silêncio, manifestarão a sua indignição contra as políticas educativas.

Preocupantes são, no entanto, os tiques pidescos de uma administração que não sabe como lidar com a força deste protesto e desesperadamente tenta intimidar os professores.

A resposta destes vai ser esclarecedora.

 

publicado por carlossilva às 20:43
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Quarta-feira, 5 de Março de 2008

de apoio em apoio...

De apoio em apoio se vai construindo o maior protesto de sempre contra a política de um governo em Portugal. Depois das manifestações de apoio dos partidos da oposição, de algumas personalidades do partido do governo e das associações de pais e encarregados de educação ( que não se revêem na estratégia da Confap ), a luta dos docentes granjeou o apoio dos seus colegas do ensino superior.

O Ministério da Educação fica cada vez mais isolado e nem os apoio desesperado de Albino Almeida da Confap , verdadeiramente comprometido com este ministério, e o apoio hilariante de Valentim Loureiro conseguirão inverter o desfecho final deste braço de ferro.

publicado por carlossilva às 14:53
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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

vale a pena lutar

Porto'08 182a

Os professores com a sua luta pela dignificação do ensino e da educação em Portugal, provaram uma vez mais que têm razão.

Desta vez, o Ministério da Educação teve de aceitar que os prazos intermédios não sejam cumpridos pelas escolas.

Perante a arrogância e prepotência da ministra e seus acólitos, que não ouvem ninguém, nem tribunais nem outras instituições, este recua é uma significativa vitória da luta dos docentes.

publicado por carlossilva às 15:10
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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007

o pior ministro da educação

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Selection   Votes
M Lurdes Rodrigues  75% 75
M Carmo Seabra  5% 5
David Justino  2% 2
Julio Pedrosa  1% 1
Augusto Santos Silva  0% 0
Guilherme Oliveira  0% 0
Marcal Grilo  0% 0
Manuela Ferreira Leite  6% 6
Couto dos Santos  1% 1
Diamantino Durao  0% 0
Roberto Carneiro  1% 1
Joao Deus Pinheiro  2% 2
Jose Augusto Seabra  0% 0
Frausto da Silva  0% 0
Vitor Crespo  1% 1
Veiga da Cunha  0% 0
Valente de Oliveira  1% 1
Lloyd Braga  0% 0
Sottomayor Cardia  2% 2
Vitor Alves  0% 0
Jose Emilio Silva  0% 0
Manuel Rodrigues Carvalho  0% 0
Rui Gracio  3% 3
Vitorino Magalhaes Godinho  0% 0
Eduardo Correia  0% 0
100 votes total
Este foi o resultado da votação. A grande vencedora da sondagem é Maria de Lurdes Rodrigues com 75% dos votos: a pior ministra da educação de Portugal. A todos quantos participaram nesta iniciativa, muito obrigado.
publicado por carlossilva às 01:34
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Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007

lá como cá

Ourense 0103a Ourense - Espanha
publicado por carlossilva às 02:40
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