Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

"à espera de godot"

"... é uma coisa que não é, mas faz de conta que é para ver como seria se fosse."

"à espera de godot"

"... é uma coisa que não é, mas faz de conta que é para ver como seria se fosse."

10.Mar.08

xeque ao "rei"

A Marcha da Indignação protagonizada pelos 100 000 professores em Lisboa, no passado dia 8 de Março, constitui um verdadeiro xeque-mate ao governo do eng . José Sócrates.

O primeiro-ministro tinha duas hipóteses de jogada:

a) Substituição da equipa ministerial da educação por outra com mais capacidade de diálogo e de ouvir os professores;

b) Manutenção da equipa ministerial em exercício e defesa intransigente dos seus métodos autistas.

Sócrates optou pela última. Mas esta decisão, esta sim, é irrelevante. Fosse qual fosse a escolha de Sócrates poderia impedir os danos infligidos pelo protesto dos docentes.

Se Sócrates optasse pela primeira hipótese, iria ser acusado de ceder nos seus objectivos, na sua determinação de alcançar as metas do seu programa de governo.  O seu orgulho, arrogância e vaidade iriam sofrer danos irreparáveis.

Optando pela segunda hipótese, Sócrates desprezou a única oportunidade de reconhecer os erros da sua governação na área da educação, mas não só, e respeitar a opinião de uma classe profissional e com ela construir uma escola pública de qualidade.

Obviamente, Sócrates pensa que está imune atrás do escudo da sua maioria absoluta. Esquece-se, no entanto, que os professores, os portugueses, têm ainda a última palavra nas próximas eleições e não irão esquecer os malefícios dos governos absolutos.

Sócrates e a Maria de Lurdes preferiram alinhar pelo coro de vozes que vêem comunistas em qualquer manifestante.