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"à espera de godot"

"... é uma coisa que não é, mas faz de conta que é para ver como seria se fosse."

"à espera de godot"

"... é uma coisa que não é, mas faz de conta que é para ver como seria se fosse."

13.Mar.08

nota mais (2)

A festa de Sócrates, os foguetes de Vitalino e o azul de Menezes

 

"Na manhã do dia em que 100 mil professores desfilaram em Lisboa, o porta-voz do Partido Socialista, Vitalino Canas, afirmou publicamente

 que "o PS olhará com atenção para os sinais que vêm da manifestação". Parecia uma afirmação sensata . mas Vitalina avisava já que não haveria mudanças de rumo. Para quê, então olhar "os sinais"? Por simples deleite contemplativo? Anteontem ,, ficou tudo mais claro. No final da reunião no ministério , o secretário de Estado Jorge Pedreira disse que poderia haver "soluções flexíveis"; e ontem, no Parlamento, a deputada do PS Isabel Coutinho, dizendo que essas tais "soluções flexíveis" já estavam previstas (coisa em que ninguém deve ter reparado), garantiu que "não há recuo do Ministério da Educação, nem do Governo".Ou seja: não há recuo porque as "soluções flexíveis" já faziam parte dos planos do Governo. Já a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, decerto furiosa com os jornais que lhe apontavam recuos, garantia depois, em conferência de imprensa, que as avaliações prosseguem. Tudo o que era para ser feito será. Com umas simplificações, claro, contornando algumas regras, sim, mas cumprindo o calendário. Vão-se os anéis, ficam os dedos. E nos dedos ficam avaliações que até podem não sê-lo, de facto, mas sempre são as tais 7 mil do plano. É o que tem de ser. Simplificadas ou flexibilizadas, lá as teremos. E o Governo pode dar por cumprida mais uma meta dos seus planos, mesmo que sirva apenas para isso: para dizer que foi cumprida e para a ministra não perder a face. O país, esse, vai perdendo tempo.

(...) "

 

NUNO PACHECO

in Editorial (Público - 13-03.2008)