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"à espera de godot"

"... é uma coisa que não é, mas faz de conta que é para ver como seria se fosse."

"à espera de godot"

"... é uma coisa que não é, mas faz de conta que é para ver como seria se fosse."

19.Nov.06

world press photo 06

Maia 011

 

As fotos são simplesmente espectaculares. Algumas são de cortar a respiração. Perante a sua gritante intensidade, a resposta dos visitantes era o silêncio cúmplice.

Infelizmente a exposição no Forum da Maia terminou hoje. Quem não pôde ir tem a possibilidade de as ver aqui. A não perder!

17.Nov.06

cordão humano

17 de Novembro

11.30 horas: derrube do Muro do autismo, autoritarismo e prepotência do ME.

12.00 horas: termo da Vigília.

14.30 horas: Plenário Nacional de Professores e Educadores no Parque Eduardo VII (junto ao Pavilhão Carlos Lopes): intervenções dos representantes das organizações que integram a Plataforma

16.30 horas: deslocação em Cordão Humano para o ME

17h00: entrega no ME do Abaixo-Assinado "Não à chantagem, sim à negociação"

15.Nov.06

a vigília


Começa Hoje às 11h

Vigília frente ao ME
(na 5 de Outubro, em Lisboa) 
Até às 12h do dia 17 (sexta-feira)

Por uma carreira digna e valorizada
Contra a destruição do ECD


Se mais razões não houvesse para lutar contra o desmando que impera no ministério da educação estas seriam suficientes.

Uma vez mais, como vem sendo já um hábito, a Ministra tirou mais um coelho da cartola. Agora é a ideia mirabolante de pôr os professores sem horário distribuído a desempenhar outras funções nas escolas como, pasme-se, manutenção do edifício ou apoio jurídico. Isto é o quê? Que ideias vão naquela cabecinha iluminada? Esses professores vão consertar portas e janelas, torneiras e lâmpadas, pintar as paredes? Vão dar apoio jurídico a quem? Parece que com um complemento especializado de formação conseguem.

Para quê gastar dinheiro com essa formação?  Não seria mais justo, tendo em consideração as funções para que os professores estão bem habilitados, não seria mais proveitoso, do ponto de vista do sucesso educativo dos alunos, se estes professores pudessem dar apoio pedagógico acrescido a alunos com dificuldades de aprendizagem?

Não seria mais útil, mais prático, rentabilizar esses recursos humanos de forma a garantir que mais alunos possam ter sucesso nos seus estudos desde o 1º ciclo. Bastaria para isso que o número demasiadamente elevado de 24 alunos por turma (na lei, porque, na prática, há turmas com mais alunos) baixasse consideravelmente, para 20 a 18, por exemplo, ou talvez menos. Desta forma o professor poderia dedicar mais tempo a cada aluno, a conhecê-lo melhor e, sobretudo, a dispor de mais tempo para trabalhar com todos e cada um dos seus alunos.

Mas isso, com esta ministra e com este governo, é pouco provável já que estão mais interessados em não gastar dinheiro com a educação do que verdadeiramente no sucesso dos alunos da escola pública. Digo da escola pública, porque o ministério não enjeita esforços para subsidiar colégios particulares com somas avultadas, como pode ler-se aqui.

E já agora, como curiosidade, o orçamento previsto no Orçamento de Estado, para o gabinete da ministra da educação, em 2007, segundo uma reportagem da Visão nº 714, "Despesas de mercearia." (sem link)

EDUCAÇÃO - Maria de Lurdes Rodrigues

Remuneração do titular do cargo ........................................55 900 €
Pessoal em regime de avença/tarefa..........................................0€
Despesas de representação...............................................48 700€ 
Ajudas de custo..............................................................8 000€
Horas extraordinárias......................................................42 400€
Combustíveis e lubrificantes...............................................6 000€
Acessos à Internet.............................................................500€
Comunicações móveis.......................................................5 000€
Estudos e consultadoria.....................................................5 000€
Deslocações e estadas.......................................................5 000€
Prémios, condecorações e ofertas.........................................1 850€
Formação...........................................................................0€

E se fossem tão generosos com os professores como são com eles próprios?
E se pagassem aos professores, o que estes gastam para se deslocar para a escola onde foram colocados?
E se pagassem aos professores as horas extraordinárias que gastam a preparar trabalho para os seus alunos, muito para lá do seu horário?
E se pagassem aos professores o acesso à Internet a partir de suas casas para prepararem as suas lições diariamente?

Nota-se que a ministra não vai gastar um euro com a sua própria formação. Se calhar, não seria má ideia fazer um a formação sobre como funcionam as escolas neste país e como os professores desempenham as suas funções. Poderia ser que a ministra começasse a entender melhor estes profissionais e passasse a dirigir a sua animosidade legislativa contra os verdadeiros problemas da educação e do ensino em Portugal.

 

14.Nov.06

o espanto

Foi com algum espanto que  li aqui a entrevista de Pedro Guedes de Oliveira, director do INESC, catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e, segundo o entrevistador, "examinador" das escolas.

O espanto advém, primeiro, da resposta à pergunta:

A propósito de "stakeholders", concorda com a ideia de os pais passarem a ter uma intervenção indirecta na avaliação dos docentes?

Desde que isso seja feito com bom-senso, não tenho qualquer objecção. Do mesmo modo, sempre achei que os alunos devem ser um elemento importante na avaliação dos professores no Ensino Superior, tal como sucede noutros países. Em Portugal, já se vai fazendo, mas com pouca clareza. As notas não são tornadas públicas. E devo dizer que é estranho uma classe que passa a vida a avaliar, e que vê os jovens com a sua vida às voltas por falta de umas centésimas que não os deixa entrar em Medicina, esteja sempre com medo das avaliações só porque elas não são justas. Não são com certeza sempre justas. Ninguém pode dizer que aquele aluno com mais duas centésimas merecia mais entrar em Medicina. Apesar de tudo, é inevitável. E é possível montar sistemas mais justos, menos arbitrários e que apresentem alguma coisa de válido. (sublinhados meus)

Não percebo onde foi buscar esta ideia do medo. Os professores não têm medo da avaliação. Os professores têm vindo a ser avaliados, de acordo com as regras em vigor. Os professores desejam uma avaliação justa que permita distinguir os bons dos maus professores (que os há, como em qualquer outra profissão). Os professores desconfiam de um tipo de avaliação que o Ministério quer implementar e que, ele próprio, ainda não sabe muito bem como vai fazê-lo, com que critérios, quais os parâmetros, quem vai intervir na avaliação e qual a implicação dessa avaliação. A única coisa que parece saber o Ministério é que em função dessa avaliação há-de haver professores que nunca chegarão ao topo da carreira (e serão a maioria) e que isso interessa ao governo, porque significa uma enorme "poupança" ao erário público.

O espanto advém, em segundo lugar, de outra resposta:

Simpatiza com as linhas gerais do Estatuto da Carreira Docente (ECD) proposto pelo Governo?

Conheço só as linhas muito gerais, mas há coisas com as quais simpatizo e outras com que não simpatizo de todo. Não concordo com a extensão do estatuto. Devia ser uma coisa simples e fácil de ler. Não devia ser enorme e muito regulamentar. É um problema que temos em Portugal, mas o mesmo se passa na carreira universitária. Acho inevitável que haja escalões e que esses correspondam a estágios diferentes de desenvolvimento de competências e de responsabilidades. É justo e realista que não haja espaço para todos aqueles que forem muito bons. Quando o número é ilimitado, toda a gente vai até ao topo.

Espanta-me esta lógica de achar justo(??) não haver espaço para todos os muito bons. Onde está a justiça disto? Se os professores demonstrarem nessa avaliação de desempenho que são muito bons, devem ter direito a chegar aos lugares do topo sem condicões artificiais. Qual é o problema de toda a gente, sobretudo se for muito boa, sobretudo se desempenhar as mesmas funções(as lectivas) ir ao topo?

O espanto advém ainda desta resposta:

Como na universidade, onde não há cátedras para todos.

Exactamente. Acho, portanto, normal que assim seja. E eu até acho que devia haver mais do que dois estágios (professor e professor titular). Acho absolutamente razoável que uma pessoa, vendo que tem a sua evolução de carreira tapada, procure outros sítios. Acho óptimo que se induza mobilidade. As pessoas têm de se habituar.

Como é? Então o senhor "examinador" acha razoável que se induza a mobilidade. Acha bem que, de repente, as pessoas deixem de ter garantidas condições mínimas e básicas de estabilidade profissional para andarem, supõe-se que no meio ou quase no fim da carreira, à procura de outros sítios. Claro que é fácil falar quando se está na posição "precária" de quem tem três sítios assegurados (o INESC, a FEUP e a "examinação de escolas".

O espanto advem, finalmente, que o post já vai longo de:

Quanto às partes que considera mais críticas.

Não acho bem que sejam os coordenadores de departamento a ter uma parte muito activa na avaliação. Eles são eleitos por um período temporário. É complicado quando alguém que hoje avalia, porque foi eleito, está amanhã a ser avaliado, porque é eleitor. Eu posso avaliar o produto do trabalho de alguém. Não avalio a pessoa, mas sim o produto do seu trabalho.

O que é que isto quer dizer? Que o senhor examinador acha que quem avalia não pode vir a ser avaliado. Porquê? Se a avaliação for correcta e justa não há que temer retaliações. Devo entender que este senhor que avaliou as escolas que se candidataram ao projecto da autonomia não pode ser avaliado nem pelos professores, nem pelas escolas avaliadas?

Pois eu acho que, a avaliar por esta entrevista, a avaliação das escolas deveria ser refeita.

 

13.Nov.06

80% vs 11,74%

No final da greve da Função Pública, sindicatos e governo não se entendiam quanto à percentagem de trabalhadores que tinham aderido Apesar de não saber, até há pouco tempo, quantos funcionários públicos havia no sistema, o governo apressou-se a apresentar um número com o preciosismo de ir até às centésimas.

Confrontado com esta questão de quem terá ganho esta greve, se os sindicatos ou o governo, Marcelo Rebelo de Sousa tira um coelho da sua cartola e anuncia que ganharam os dois. Sim. Disse que os sindicatos ganharam na Rua, mas que o governo ganhou na Comunicação Social. Ou seja, se bem entendi, os sindicatos mostraram nas ruas, de forma inequívoca, a justeza da sua luta e o governo veio para a comunicação social tentar manipular a opinião pública.

De qualquer forma, esta divergência entre sindicatos e governo não é nova. Não me lembro de que tenha acontecido alguma vez ambas as partes estarem de acordo nessa matéria, fosse qual fosse o governo em exercício, já que os sindicatos se mantêm em acção há mais de 30 anos. Se calhar é por isso que Marcelo Rebelo de Sousa afirma, com toda a convicção, que João Proença, secretário-geral da UGT está obsoleto, e que Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, está obsoleto.

Isto levanta-me uma questão pertinente. Se João Proença e Carvalho da Silva estão obsoletos, Marcelo Rebelo de Sousa está o quê? Senil?

Bem, mas voltando à questão dos números, a mim não me interessa minimamente se os números estão correctos ou não. E acho que há muitas pessoas a achar, como eu, que contra factos não há argumentos. A avaliar por esta imagem...

Porto_ 023