Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

"à espera de godot"

"... é uma coisa que não é, mas faz de conta que é para ver como seria se fosse."

"à espera de godot"

"... é uma coisa que não é, mas faz de conta que é para ver como seria se fosse."

01.Fev.08

a duas velocidades

Este país circula a duas velocidades em muitas áreas da vida social, cultural e política. Só assim se compreende que o nascimento de crianças nas ambulâncias dos bombeiros continue a verificar-se cada vez em maior número enquanto, no Hospital de S. João no Porto inaugura um bloco de partos de "luxo" que incluem a hidroterapia, a musicoterapia, "chuveiros para relaxamento".

Obviamente não estou contra o fornecimento de um "serviço mais humanizado, mais familiar e com maior privacidade". Pelo contrário, gostaria que aquela mulher de Santa Marinha do Zêzere, Baião pudesse ter tido os seus filhos com a mesma qualidade, que é agora apresentada pelo HSJ, em vez de ver os seus filhos nascerem numa ambulância.

O que é mais confrangedor é continuar a assistir ao encerramento de maternidades e de urgências públicas em locais onde começam a abrir os mesmos serviços mas privados.  

01.Fev.08

mais do mesmo

Estou perfeitamente convencido de que a a recente remodelação governamental não passa de mera operação de cosmética desesperada num governo que já não tem salvação. É um facto que os dois ministros agora saneados andavam a pedi-las, como sói dizer-se. As confusões em que se envolveram já há muito exigia uma medida desta natureza. Mas não se pense que, pelo facto de termos caras novas na governação isso representa qualquer sinal de mudança ao nível das políticas. De resto isso mesmo já foi reiterado quer pelo primeiro-ministro, quer por, pelo menos, um dos novos ministros, com a agravante de que, no caso da ministra da saúde, as coisas terem começado da pior maneira. Primeiro é o processo resultante da gestão do Amadora-Sintra em que está envolvida; Segundo é as declarações proferidas antes de ser ministra, relativamente à forma como a reforma do sistema nacional de saúde estava a ser conduzida e a actual posição de fiel servidora das políticas deste governo nesta matéria.

O que é estranho neste processo, ou talvez não, é a escolha de Pires de Lima e de Correia de Campos para o tal lifting governamental. É que esta escolha poderia ter recaído perfeitamente em qualquer outro ministro. Uns pelo desacerto diário das suas declarações e actos, outros pelo sua manifesta insignificância: a Ministra da Educação há muito que justifica a remodelação e o Ministro do Ambiente também.

Para mim, este governo devia era demitir-se em bloco e o Presidente da República deveria convocar eleições antecipadas e o Povo deveria tomar juízo e não permitir, nunca mais, que autocratas possam governar este país nem que haja governos com maioria absoluta.