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"à espera de godot"

"... é uma coisa que não é, mas faz de conta que é para ver como seria se fosse."

"à espera de godot"

"... é uma coisa que não é, mas faz de conta que é para ver como seria se fosse."

10.Mar.08

nota mais

 

"A democracia não se esgota no voto"

 

"a maioria absoluta tem levado o presente governo a uma enorme arrogância na sua relação com os cidadãos, mas também  a uma grande incapacidade de diálogo social.

 " ... a gigantesca manifestação de cerca de 100 mil professores não só demonstra uma enorme insatisfação de cerca de dois terços desta classe profissional,, como evidencia que os mecanismos de concertação não têm funcionado, dando razão aos sindicatos. Mas esta manifestação, com pessoas de todos os partidos e quadrantes ideológicos (...) foi também uma grande lição de participação cívica."

" Parece, portanto, que a expressão de descontentamento na rua pode não estar assim tão longe das preferências populares como alguns alegam."

 

ANDRÉ FREIRE: Professor de Ciência Política (ISCTE)

in Espaço Público (Público - 10.03.2008)

Contentes, agora?

"Vivemos estes anos sob a retórica das "reformas impopulares".

(...) Se não forem impopulares, não são reformas! E reformas impopulares, como esta, só se conseguem com maioria absoluta. Ninguém quis ver o lado perverso desta lógica: com maioria absoluta não é preciso que as reformas sejam boas, basta dizer que são impopulares e que quem se lhes opõe é contra as reformas.

(...) as reformas fazem-se com as pessoas que temos, não com as que fabricamos. (...) Difícil é fazer uma reforma compreensível e motivadora para quem vai ter de participar nela."

"O verdadeiro reformismo é realista: quer concentrar as suas forças no que está mal e não disparar em todas as direcções. E no ideal, o reformismo é progressista: só funciona quando dá às pessoas um horizonte de expectativas atingível e honesto. quem quer um governo reformista não pode consegui-lo aliando-se à opinião mais pessimista e destrutiva, ainda que tacticamente. Se o fizer, começa com demonstrações de autoridade vácuas e acaba batendo com a cabeça no muro. Que isto sirva de lição ao PS."

 

RUI TAVARES: Historiador

in Crónica sem dor (Público - 10.03.2008)

10.Mar.08

xeque ao "rei"

A Marcha da Indignação protagonizada pelos 100 000 professores em Lisboa, no passado dia 8 de Março, constitui um verdadeiro xeque-mate ao governo do eng . José Sócrates.

O primeiro-ministro tinha duas hipóteses de jogada:

a) Substituição da equipa ministerial da educação por outra com mais capacidade de diálogo e de ouvir os professores;

b) Manutenção da equipa ministerial em exercício e defesa intransigente dos seus métodos autistas.

Sócrates optou pela última. Mas esta decisão, esta sim, é irrelevante. Fosse qual fosse a escolha de Sócrates poderia impedir os danos infligidos pelo protesto dos docentes.

Se Sócrates optasse pela primeira hipótese, iria ser acusado de ceder nos seus objectivos, na sua determinação de alcançar as metas do seu programa de governo.  O seu orgulho, arrogância e vaidade iriam sofrer danos irreparáveis.

Optando pela segunda hipótese, Sócrates desprezou a única oportunidade de reconhecer os erros da sua governação na área da educação, mas não só, e respeitar a opinião de uma classe profissional e com ela construir uma escola pública de qualidade.

Obviamente, Sócrates pensa que está imune atrás do escudo da sua maioria absoluta. Esquece-se, no entanto, que os professores, os portugueses, têm ainda a última palavra nas próximas eleições e não irão esquecer os malefícios dos governos absolutos.

Sócrates e a Maria de Lurdes preferiram alinhar pelo coro de vozes que vêem comunistas em qualquer manifestante.