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"à espera de godot"

"... é uma coisa que não é, mas faz de conta que é para ver como seria se fosse."

"à espera de godot"

"... é uma coisa que não é, mas faz de conta que é para ver como seria se fosse."

15.Nov.06

a vigília


Começa Hoje às 11h

Vigília frente ao ME
(na 5 de Outubro, em Lisboa) 
Até às 12h do dia 17 (sexta-feira)

Por uma carreira digna e valorizada
Contra a destruição do ECD


Se mais razões não houvesse para lutar contra o desmando que impera no ministério da educação estas seriam suficientes.

Uma vez mais, como vem sendo já um hábito, a Ministra tirou mais um coelho da cartola. Agora é a ideia mirabolante de pôr os professores sem horário distribuído a desempenhar outras funções nas escolas como, pasme-se, manutenção do edifício ou apoio jurídico. Isto é o quê? Que ideias vão naquela cabecinha iluminada? Esses professores vão consertar portas e janelas, torneiras e lâmpadas, pintar as paredes? Vão dar apoio jurídico a quem? Parece que com um complemento especializado de formação conseguem.

Para quê gastar dinheiro com essa formação?  Não seria mais justo, tendo em consideração as funções para que os professores estão bem habilitados, não seria mais proveitoso, do ponto de vista do sucesso educativo dos alunos, se estes professores pudessem dar apoio pedagógico acrescido a alunos com dificuldades de aprendizagem?

Não seria mais útil, mais prático, rentabilizar esses recursos humanos de forma a garantir que mais alunos possam ter sucesso nos seus estudos desde o 1º ciclo. Bastaria para isso que o número demasiadamente elevado de 24 alunos por turma (na lei, porque, na prática, há turmas com mais alunos) baixasse consideravelmente, para 20 a 18, por exemplo, ou talvez menos. Desta forma o professor poderia dedicar mais tempo a cada aluno, a conhecê-lo melhor e, sobretudo, a dispor de mais tempo para trabalhar com todos e cada um dos seus alunos.

Mas isso, com esta ministra e com este governo, é pouco provável já que estão mais interessados em não gastar dinheiro com a educação do que verdadeiramente no sucesso dos alunos da escola pública. Digo da escola pública, porque o ministério não enjeita esforços para subsidiar colégios particulares com somas avultadas, como pode ler-se aqui.

E já agora, como curiosidade, o orçamento previsto no Orçamento de Estado, para o gabinete da ministra da educação, em 2007, segundo uma reportagem da Visão nº 714, "Despesas de mercearia." (sem link)

EDUCAÇÃO - Maria de Lurdes Rodrigues

Remuneração do titular do cargo ........................................55 900 €
Pessoal em regime de avença/tarefa..........................................0€
Despesas de representação...............................................48 700€ 
Ajudas de custo..............................................................8 000€
Horas extraordinárias......................................................42 400€
Combustíveis e lubrificantes...............................................6 000€
Acessos à Internet.............................................................500€
Comunicações móveis.......................................................5 000€
Estudos e consultadoria.....................................................5 000€
Deslocações e estadas.......................................................5 000€
Prémios, condecorações e ofertas.........................................1 850€
Formação...........................................................................0€

E se fossem tão generosos com os professores como são com eles próprios?
E se pagassem aos professores, o que estes gastam para se deslocar para a escola onde foram colocados?
E se pagassem aos professores as horas extraordinárias que gastam a preparar trabalho para os seus alunos, muito para lá do seu horário?
E se pagassem aos professores o acesso à Internet a partir de suas casas para prepararem as suas lições diariamente?

Nota-se que a ministra não vai gastar um euro com a sua própria formação. Se calhar, não seria má ideia fazer um a formação sobre como funcionam as escolas neste país e como os professores desempenham as suas funções. Poderia ser que a ministra começasse a entender melhor estes profissionais e passasse a dirigir a sua animosidade legislativa contra os verdadeiros problemas da educação e do ensino em Portugal.