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"à espera de godot"

"... é uma coisa que não é, mas faz de conta que é para ver como seria se fosse."

"à espera de godot"

"... é uma coisa que não é, mas faz de conta que é para ver como seria se fosse."

19.Jan.07

a "estabilidade"

Com o novo diploma que rege  a colocação de professores, a ministra da educação propagandeou aos quatro ventos que esta legislação iria trazer estabilidade para todos: alunos, pais e encarregados de educação, professores e escolas.

Mas o que aconteceu foi que, com o adiamento da idade da reforma, alguns professores, que estavam na Educação Especial ou que desempenhavam outras funções na administração, regressaram às escolas a cujos quadros pertenciam.

Por tal facto, professores do quadro de vinculação, que estavam há alguns anos numa escola, viram essas vagas fechadas e obrigados a concorrer para outras escolas.

Alguns dos professores que regressaram às escolas estavam já em final de carreira e, ao fim de alguns meses aposentaram-se tendo que deixar a sua turma à espera de um novo professor. (Na minha escola, nessas condições, são três os professores).

Também regressaram à escola professores da Educação Especial que depois foram convidados pela tutela para voltarem a tomar conta de alunos dessa área noutra escola e, por isso, abandonaram a turma.

Por via disto, os professores colocados no Apoio Sócio Educativo foram abandonando este para tomarem conta das turmas que os professores aposentados tiveram de deixar. Na minha escola já conhecemos três professores de Apoio Sócio Educativo, no que vai deste ano lectivo.

A isto, chama a ministra estabilidade.

Mas não satisfeita com isto, tem a brilhante ideia de terminar as colocações cíclicas, abandonando um instrumento de ordenação de professores que era, apesar de tudo, mais transparente e mais justo do que agora se verifica com as ofertas de escola.

Já tem sido referido, pela comunicação social e pela blogosfera , que a contratação de professores nos termos vigentes lançou a confusão nas escolas e nos professores, aumentando os gastos de uns e de outros com envio e análise de currículos.

Há casos em que para um horário incompleto se candidataram mais de 600 professores. Qual é a viabilidade de um agrupamento de escolas escolher com justiça e transparência e em tempo útil para obviar às necessidades de substituição de docentes, às vezes, por um curto período de tempo?

Está lançada a confusão, o caos, o salve-se quem puder. É a isto que a ministra chama ESTABILIDADE.